Pessoas comuns, histórias reais, mas ao mesmo tempo inverossímeis. A idéia parecia boa: a partir de um concurso, em que foram enviadas mais de 560 histórias, a companhia Galpão escolheu quatro e montou uma peça. Todos temos uma história absurda, todos temos nossos “pequenos milagres” que poderiam passar nossas vidas inteiras desapercebidos ou desconhecidos.
Uma das histórias, “Cabeça de cachorro”, foi dividida em cinco e intercalada pelas outras três, encenadas de uma vez: “O pracinha da FEB”, “O vestido” e “Casal náufrago”. A primeira relata o caminho de um garoto de onze anos do interior. Ele deve levar, sozinho, a cabeça do cachorro que mordeu seu irmão para a Vigilância Sanitária na grande e assustadora cidade de São Paulo. A travessia do garoto marca o tempo da peça, que poderia ser uma espécie de progressão ou gradação por meio das outras histórias. Mas as histórias não tinham um diálogo claro entre si, sendo apenas coincidências isoladas. A segunda história era sobre um ex-soldado traumatizado pela perda de um grande amigo na guerra e que se fascina pela enfermeira do asilo. A terceira, uma garotinha pobre e sonhadora que tudo o que mais queria na vida era um belo vestido branco. A última, marido e mulher pobres, infelizes e vazios têm a oportunidade de mudar sua vida quando ele vai participar do “Show do milhão”.
Com isso, a companhia tentou fazer com que cada história passasse uma mensagem, mas sempre de maneira óbvia. A peça inteira foi fácil, “de graça”. Os diálogos eram misturados a narrações, que acabavam por explicar as situações desnecessariamente. A trilha sonora era composta de músicas conhecidas ou dramáticas e grandiosas, completamente adequadas aos momentos. A atuação era estereotipada e, muitas vezes, exagerada. Enfim, praticamente ditavam nossos sentimentos, só faltaram as placas “risadas” e “aplausos”.
As histórias poderiam ser atemporais, mas assim não pareceram. Pelo figurino, cenário e até os próprios acontecimentos parecíamos poder localizar as peças nos anos 60 ou 70, mas havia muitas referências à atualidade, o que causava um estranhamento. Além disso, a mistura do trágico e do cômico não ficou suave, as risadas sempre eram uma boa saída, parecendo mais um “escape” para as situações difíceis que eram colocadas à platéia, como não fosse necessário refletir sobre o que estava acontecendo.
O teatro lotou e a platéia, em geral, pareceu se divertir bastante. Achei uma peça bem “ao gosto popular”, uma peça para “passar o tempo”. Não pude deixar de começar a me questionar se é para isso mesmo que as pessoas têm ido ao teatro, para se entreter e passar o tempo com risadas e historinhas.
Uma das histórias, “Cabeça de cachorro”, foi dividida em cinco e intercalada pelas outras três, encenadas de uma vez: “O pracinha da FEB”, “O vestido” e “Casal náufrago”. A primeira relata o caminho de um garoto de onze anos do interior. Ele deve levar, sozinho, a cabeça do cachorro que mordeu seu irmão para a Vigilância Sanitária na grande e assustadora cidade de São Paulo. A travessia do garoto marca o tempo da peça, que poderia ser uma espécie de progressão ou gradação por meio das outras histórias. Mas as histórias não tinham um diálogo claro entre si, sendo apenas coincidências isoladas. A segunda história era sobre um ex-soldado traumatizado pela perda de um grande amigo na guerra e que se fascina pela enfermeira do asilo. A terceira, uma garotinha pobre e sonhadora que tudo o que mais queria na vida era um belo vestido branco. A última, marido e mulher pobres, infelizes e vazios têm a oportunidade de mudar sua vida quando ele vai participar do “Show do milhão”.
Com isso, a companhia tentou fazer com que cada história passasse uma mensagem, mas sempre de maneira óbvia. A peça inteira foi fácil, “de graça”. Os diálogos eram misturados a narrações, que acabavam por explicar as situações desnecessariamente. A trilha sonora era composta de músicas conhecidas ou dramáticas e grandiosas, completamente adequadas aos momentos. A atuação era estereotipada e, muitas vezes, exagerada. Enfim, praticamente ditavam nossos sentimentos, só faltaram as placas “risadas” e “aplausos”.
As histórias poderiam ser atemporais, mas assim não pareceram. Pelo figurino, cenário e até os próprios acontecimentos parecíamos poder localizar as peças nos anos 60 ou 70, mas havia muitas referências à atualidade, o que causava um estranhamento. Além disso, a mistura do trágico e do cômico não ficou suave, as risadas sempre eram uma boa saída, parecendo mais um “escape” para as situações difíceis que eram colocadas à platéia, como não fosse necessário refletir sobre o que estava acontecendo.
O teatro lotou e a platéia, em geral, pareceu se divertir bastante. Achei uma peça bem “ao gosto popular”, uma peça para “passar o tempo”. Não pude deixar de começar a me questionar se é para isso mesmo que as pessoas têm ido ao teatro, para se entreter e passar o tempo com risadas e historinhas.
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