Um milagre
“ Você será amado no dia em que puder mostrar sua fraqueza sem que o outro se sirva dela para afirmar sua força.”Esse amor é o mais raro, o mais precioso, o mais milagroso. Se você recua um passo, ele recua dois. Simplesmente para lhe dar mais lugar, para não esbarrar em você, para não o invadir, não o oprimir, para lhe deixar um pouco mais de espaço, de liberdade, de ar, e tanto mais quanto mais fraco o sentir, para não lhe impor sua potência, nem mesmo sua alegria ou seu amor, para não ocupar todo o espaço disponível, todo o ser disponível, todo o poder disponível...” (André Comte-Sponville)
Não é de pequenos milagres que precisamos, um grande seria suficiente e quem sabe nos salvasse. “Pequenos milagres” em cartaz no sesc anchieta do grupo galpão é um equivoco. Alias o Grupo Galpão tem se equivocado já há algum tempo. O que entes já foi o nome de um grupo de experimentação hoje é mais uma referência de mainstream como as comédias popularescas com as vedetes da televisão.
Espero um milagre, um milagre que não venha do palco espero um milagre que venha da platéia e não um pequeno, mas um grande milagre.
O teatro é um espaço de troca, no qual costumamos esperar que venha do palco a maior parte dessa troca. Mas hoje eu espero do público uma resposta. Não posso acreditar que estejamos tão acostumados com as regras da boa educação que não podemos mais discordar, que somos tão adestrados que não podemos mais usar nossa fala e nossas ações para essa troca que o teatro oferece.
E não posso acreditar que aqueles que sobem ao palco não estejam prontos para essa troca. Nós o público temos que tornar essa troca mais concreta, mas real. Proponho reler o teatro. Repensar nossas posturas, repensar nossas ações. Porque precisamos de um uma ação mais enfática frente às obras. Temos que possuir uma atitude mais crítica e precisamos de mais espaço para isso. É preciso que o palco dê espaço para a platéia. Que ele permita e dê o tempo para que possamos discordar. Não apareça e peça os aplausos. Permita o espaço. Descondicionar o público.
Porque somos um povo cordial. Porque aprendemos rapidamente as regras da etiqueta e não as questionamos. Precisamos de mais Zés Celsos, muito mais. Carnavalizar a platéia e impedir a massificação teatral.
Pequenos milagres é um insulto à mim. Como platéia de teatro. Como participante desse evento, como membro dessa congregação que se chama sociedade. E temos que repensar essa posição. A platéia é parte ativa desse diálogo, é conosco que eles, os artistas, estão se dirigindo e temos o dever de responder. De questionar, de perguntar a relevância disso. Do que se me mostra.
Será que realmente desejo um milagre? Não. Desejo não um ato divino, mas uma ação humana. Desejo uma comunidade. Um espaço para a reflexão. Para o diálogo.
“Pequenos milagres” precisa de uma revisão. O galpão inteiro precisa. E não me refiro somente ao grupo. A peça precisa ser repensada em sua dramaturgia tanto em coerência quanto em coesão. E coerência e coesão precisam ser repensadas tanto para o espetáculo quanto para esse dialogo, e para as ações que o público possui.
Se o Galpão agrada ao grande público. Sim agrada. Mas “É o Tchan” também e o “Bonde do Tigrão também” isso não diz muito a respeito de uma obra, às vezes pelo contrário. Mas não diz contra também. Os “Beatles” eram populares.
Mas R. Barthes disse que um teatro popular seria aquele que tivesse um público de massa, um repertório de alta cultura e uma dramaturgia de vanguarda. É um bom começo para não ficar só nos aplausos do grande público. Vale ao Galpão tentar pensar sobre o assunto.
“ Você será amado no dia em que puder mostrar sua fraqueza sem que o outro se sirva dela para afirmar sua força.”Esse amor é o mais raro, o mais precioso, o mais milagroso. Se você recua um passo, ele recua dois. Simplesmente para lhe dar mais lugar, para não esbarrar em você, para não o invadir, não o oprimir, para lhe deixar um pouco mais de espaço, de liberdade, de ar, e tanto mais quanto mais fraco o sentir, para não lhe impor sua potência, nem mesmo sua alegria ou seu amor, para não ocupar todo o espaço disponível, todo o ser disponível, todo o poder disponível...” (André Comte-Sponville)
Não é de pequenos milagres que precisamos, um grande seria suficiente e quem sabe nos salvasse. “Pequenos milagres” em cartaz no sesc anchieta do grupo galpão é um equivoco. Alias o Grupo Galpão tem se equivocado já há algum tempo. O que entes já foi o nome de um grupo de experimentação hoje é mais uma referência de mainstream como as comédias popularescas com as vedetes da televisão.
Espero um milagre, um milagre que não venha do palco espero um milagre que venha da platéia e não um pequeno, mas um grande milagre.
O teatro é um espaço de troca, no qual costumamos esperar que venha do palco a maior parte dessa troca. Mas hoje eu espero do público uma resposta. Não posso acreditar que estejamos tão acostumados com as regras da boa educação que não podemos mais discordar, que somos tão adestrados que não podemos mais usar nossa fala e nossas ações para essa troca que o teatro oferece.
E não posso acreditar que aqueles que sobem ao palco não estejam prontos para essa troca. Nós o público temos que tornar essa troca mais concreta, mas real. Proponho reler o teatro. Repensar nossas posturas, repensar nossas ações. Porque precisamos de um uma ação mais enfática frente às obras. Temos que possuir uma atitude mais crítica e precisamos de mais espaço para isso. É preciso que o palco dê espaço para a platéia. Que ele permita e dê o tempo para que possamos discordar. Não apareça e peça os aplausos. Permita o espaço. Descondicionar o público.
Porque somos um povo cordial. Porque aprendemos rapidamente as regras da etiqueta e não as questionamos. Precisamos de mais Zés Celsos, muito mais. Carnavalizar a platéia e impedir a massificação teatral.
Pequenos milagres é um insulto à mim. Como platéia de teatro. Como participante desse evento, como membro dessa congregação que se chama sociedade. E temos que repensar essa posição. A platéia é parte ativa desse diálogo, é conosco que eles, os artistas, estão se dirigindo e temos o dever de responder. De questionar, de perguntar a relevância disso. Do que se me mostra.
Será que realmente desejo um milagre? Não. Desejo não um ato divino, mas uma ação humana. Desejo uma comunidade. Um espaço para a reflexão. Para o diálogo.
“Pequenos milagres” precisa de uma revisão. O galpão inteiro precisa. E não me refiro somente ao grupo. A peça precisa ser repensada em sua dramaturgia tanto em coerência quanto em coesão. E coerência e coesão precisam ser repensadas tanto para o espetáculo quanto para esse dialogo, e para as ações que o público possui.
Se o Galpão agrada ao grande público. Sim agrada. Mas “É o Tchan” também e o “Bonde do Tigrão também” isso não diz muito a respeito de uma obra, às vezes pelo contrário. Mas não diz contra também. Os “Beatles” eram populares.
Mas R. Barthes disse que um teatro popular seria aquele que tivesse um público de massa, um repertório de alta cultura e uma dramaturgia de vanguarda. É um bom começo para não ficar só nos aplausos do grande público. Vale ao Galpão tentar pensar sobre o assunto.
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