Aconchegar. Chegar e ser recebido. Tiram-se os sapatos para adentrar o espaço da cena – ou então, para aqueles que temem um inconveniente furinho na meia, um pé mal cuidado, ou para os preguiçosos em desamarrar cadarços, empresta-se uma proteção para os mesmos. Um carpete fofinho recebe nossos pés. O grupo de jovens atores que agora concluem o seu processo dentro do Núcleo SESI nos aguarda dispostos pelo espaço. Cumprimentam-nos – até com abraço e beijinho caso sejam velhos conhecidos – revelando a atmosfera informal que se propõe ao que está por vir.
Sentados em pufes ou almofadas espalhados pelo espaço, somos então convidados a acompanhar caminhos trilhados por mentes jovens que lá estão para indagar. Se indagarem. Num jogo livre em movimentação, porém amarrado a uma linha dramatúrgica pré-estabelecida de raciocínio, os atores traçam caminhos que entremeiam lembranças de uma infância a pouco abandonada, questionamentos existencialistas, preocupações com relação ao porvir. Embora se assumam como frutos de uma geração que não viveu a revolução, a trilha sonora encabeçada por Caetano não deixa de apontar um quê saudosista, uma nostalgia do que não se viveu. Ou, pelo menos, o sentimento de orfandade que paira sobre essa geração.
Tomando para si aquele espaço que pretendem compartilhar com os espectadores, ora sussurrando ao pé do ouvido de alguém um breve trecho do texto, ora direcionando sua intenção para alguém ao outro lado da sala, mas sempre buscando uma relação direta com aqueles que compõem aquele ambiente, aparece ai uma falha quase imperdoável: quando se buscava o apoio no olhar de qualquer um dos intérpretes, este lhe escapava. Seus corpos se aproximavam ou distanciavam, suas vozes nos invadiam ou passavam como breve brisa, mas seus olhares, ah, seus olhares, esses não se davam! E que falta faziam.
No indagar-se o que sou, para que aqui estou, aonde irei, por vezes as reflexões propostas, em sua maioria de um potencial ímpar, mal encontravam tempo de inflar-se e tomar para si todo aquele tempo-espaço, já esvairavam-se, idas, mal vindas. E então caracterizavam mais como divagações adolescentes – o que não é de todo ruim, mas a potência para proporcionar incômodos mais maduros era latente, daí a sensação de um querer mais que se via podia ter-nos sido dado.
O grupo de intérpretes é de qualidade. Heterogêneo, embora – mesmo correndo o risco de soar contraditório - haja diálogo entre eles. A informalidade da cena e a margem para a improvisação sacia e agrada alguns, mas coloca outros em posição desconfortável. Mas arriscam todos a pisar em ovos. Falta talvez entregar-se de fato ao prazer que o pisar em ovos pode de fato nos trazer.
Também com aconchego desenrola-se a peça. Aconchegadamente também ela de nós se despede. Boa trilha, boas idéias, esboços de caminhos a arriscar. Mas um querer mais, a espera de um doar-se mais completo, de um arriscar voar mais longe. Quem sabe num dos muitos caminhos a trilhar.
Sentados em pufes ou almofadas espalhados pelo espaço, somos então convidados a acompanhar caminhos trilhados por mentes jovens que lá estão para indagar. Se indagarem. Num jogo livre em movimentação, porém amarrado a uma linha dramatúrgica pré-estabelecida de raciocínio, os atores traçam caminhos que entremeiam lembranças de uma infância a pouco abandonada, questionamentos existencialistas, preocupações com relação ao porvir. Embora se assumam como frutos de uma geração que não viveu a revolução, a trilha sonora encabeçada por Caetano não deixa de apontar um quê saudosista, uma nostalgia do que não se viveu. Ou, pelo menos, o sentimento de orfandade que paira sobre essa geração.
Tomando para si aquele espaço que pretendem compartilhar com os espectadores, ora sussurrando ao pé do ouvido de alguém um breve trecho do texto, ora direcionando sua intenção para alguém ao outro lado da sala, mas sempre buscando uma relação direta com aqueles que compõem aquele ambiente, aparece ai uma falha quase imperdoável: quando se buscava o apoio no olhar de qualquer um dos intérpretes, este lhe escapava. Seus corpos se aproximavam ou distanciavam, suas vozes nos invadiam ou passavam como breve brisa, mas seus olhares, ah, seus olhares, esses não se davam! E que falta faziam.
No indagar-se o que sou, para que aqui estou, aonde irei, por vezes as reflexões propostas, em sua maioria de um potencial ímpar, mal encontravam tempo de inflar-se e tomar para si todo aquele tempo-espaço, já esvairavam-se, idas, mal vindas. E então caracterizavam mais como divagações adolescentes – o que não é de todo ruim, mas a potência para proporcionar incômodos mais maduros era latente, daí a sensação de um querer mais que se via podia ter-nos sido dado.
O grupo de intérpretes é de qualidade. Heterogêneo, embora – mesmo correndo o risco de soar contraditório - haja diálogo entre eles. A informalidade da cena e a margem para a improvisação sacia e agrada alguns, mas coloca outros em posição desconfortável. Mas arriscam todos a pisar em ovos. Falta talvez entregar-se de fato ao prazer que o pisar em ovos pode de fato nos trazer.
Também com aconchego desenrola-se a peça. Aconchegadamente também ela de nós se despede. Boa trilha, boas idéias, esboços de caminhos a arriscar. Mas um querer mais, a espera de um doar-se mais completo, de um arriscar voar mais longe. Quem sabe num dos muitos caminhos a trilhar.
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