A peça foi escolhida por dois motivos: por ter sido escrita por Plínio Marcos e por ser apresentada no Teatro Fábrica. Confesso que nunca havia visto uma peça de Plínio e nem ido ao Fábrica. Ambos desejos antigos.
A escolha da peça pelo teatro em que é encenada costuma determinar bastante as escolhas. Pode soar preconceituoso, mas é a verdade. Há pessoas que só gostam de comédias, de irem bem vestidas a grandes teatros, de verem as celebridades do elenco, há outras pessoas que preferem lugares menores, uma praça Roosevelt e uma cervejinha depois.
O Teatro Fábrica existe há poucos anos (falar um pouco da história dele? Eu não sei, se soubesse gostaria de falar) e tem uma cara simples, de que recebe novos talentos e de que podem ser vistas peças de caráter experimental. Com essa expectativa, fui assistir a “Balada de um palhaço”.
A montagem era simples, sem excessos, apenas dois atores em cena e um cenário precário. Baixas condições orçamentárias ou proposital? Talvez uma mistura dos dois, mas seja qual for a resposta, o cenário se encaixou com a proposta da peça, dando o ar de decadência expresso nas falas: um palhaço extremamente preocupado com o dinheiro e outro chateado com a mesmice de seus números. A montagem foi feita de forma criativa com os poucos objetos disponíveis ou economicamente acessíveis. A iluminação era interessante, uma luz vinda do alto posicionada bem no centro do palco, formando um círculo no chão, fazendo parecer um picadeiro. Dessa forma, talvez o posicionamento da platéia na forma de arena teria sido mais interessante, dando uma sensação mais completa de se estar num circo.
O texto, na verdade, é o melhor da peça. As idéias de Plínio marcos realmente mexem com as pessoas, especialmente nesse mundo em que o dinheiro se mostra tão importante e nesse país em que ele faz falta e em que é difícil ser artista e até se trabalhar com o que realmente se gosta. Não são apenas os artistas que encontram dificuldades financeiras em sua profissão, há muitas outras pessoas que simplesmente não têm escolha, as necessidades físicas vêm antes dos sonhos. Por isso se é caixa de supermercado, empregada doméstica, cobrador de ônibus ou trabalhador de construção civil, entre muitos outros empregos em que se trabalha bastante e se ganha pouco. Não que as pessoas não possam ser felizes dessa forma, algum prazer a vida traz, mas a idéia de poder fazer o que realmente se gosta e conseguir se sustentar com isso é um ideal restrito às camadas mais altas da sociedade.
Plínio Marcos expõe esse dilema: “Quero fazer arte, quero trazer algo às pessoas com minha arte, quero provocar transformações”, parece ser a essência do palhaço Bobo Plin (nome que parece uma auto-ironia do dramaturgo), enquanto Menelão, mais prático e, por que não, mais adaptado à sociedade, parece sempre dizer “É mais fácil continuar com as piadas prontas e já ensaiadas e que sabidamente agradam. Assim, garantimos nosso pão de cada dia!”. Ainda, é interessante pensar na incoerência entre o discurso de Menelão e sua posição de palhaço, que deveria expor o ridículo da sociedade e funcionar como crítica e não amenizar os ânimos. E a história caminha com os dois palhaços brigando sempre, um tentando convencer o outro, sempre irredutíveis, afinal ambos têm razão. Mas eles conseguem entrar em acordo e Menelão autoriza Bobo Plin a fazer uma apresentação sem qualquer preparo, será tudo na improvisação, se não fizer sucesso, voltam à boa e velha fórmula. A platéia está enchendo e Bobo Plin começa a ficar nervoso, assim como Menelão, cada um por seus próprios motivos.
A apresentação foi um sucesso! Menelão fica radiante com o dinheiro que irá ganhar, enquanto Bobo Plin está cabisbaixo, mesmo tendo sido mais engraçado que de costume. O que há? Bobo Plin não conseguiu inovar, não sentiu que a platéia queria, a “platéia não tinha rosto”, as pessoas eram vazias e tomadas pela rotina, elas queriam as piadas prontas! É para isso que elas pagam! De que adianta fazer arte se ninguém a quer? Como provocar transformações se as pessoas não estão abertas a isso? E como isso faz sentido para o teatro hoje! Há peças tão ruins sendo feitas, histórias boas, mas com encenações óbvias ou histórias ruins e grandes produções, enfim, há pessoas que parecem não se esforçar para fazer bom teatro, mas o público também não exige nada melhor. Tudo está bom, quanto mais fácil, melhor; quanto menos se precisar pensar, melhor. Já virou costume levantar-se ao final de toda e qualquer peça e fazer chover aplausos incessantes sobre os atores. Essas atitudes já se banalizaram, é esperado que sempre se faça isso, então, toda e qualquer peça é sempre excelente para o público.
Ao final da “Balada”, todos se levantaram e bateram palmas. Pontos positivos e pontos negativos, não há como negar, mas palmas pelo esforço dos atores, pela montagem simples e sincera, em respeito ao trabalho desses novos artistas tentando entrar num mercado difícil e começando nesse pequeno Teatro Fábrica. E o dilema de Plínio permanece para o futuro de todos lá presentes, dentro e fora do palco.
A escolha da peça pelo teatro em que é encenada costuma determinar bastante as escolhas. Pode soar preconceituoso, mas é a verdade. Há pessoas que só gostam de comédias, de irem bem vestidas a grandes teatros, de verem as celebridades do elenco, há outras pessoas que preferem lugares menores, uma praça Roosevelt e uma cervejinha depois.
O Teatro Fábrica existe há poucos anos (falar um pouco da história dele? Eu não sei, se soubesse gostaria de falar) e tem uma cara simples, de que recebe novos talentos e de que podem ser vistas peças de caráter experimental. Com essa expectativa, fui assistir a “Balada de um palhaço”.
A montagem era simples, sem excessos, apenas dois atores em cena e um cenário precário. Baixas condições orçamentárias ou proposital? Talvez uma mistura dos dois, mas seja qual for a resposta, o cenário se encaixou com a proposta da peça, dando o ar de decadência expresso nas falas: um palhaço extremamente preocupado com o dinheiro e outro chateado com a mesmice de seus números. A montagem foi feita de forma criativa com os poucos objetos disponíveis ou economicamente acessíveis. A iluminação era interessante, uma luz vinda do alto posicionada bem no centro do palco, formando um círculo no chão, fazendo parecer um picadeiro. Dessa forma, talvez o posicionamento da platéia na forma de arena teria sido mais interessante, dando uma sensação mais completa de se estar num circo.
O texto, na verdade, é o melhor da peça. As idéias de Plínio marcos realmente mexem com as pessoas, especialmente nesse mundo em que o dinheiro se mostra tão importante e nesse país em que ele faz falta e em que é difícil ser artista e até se trabalhar com o que realmente se gosta. Não são apenas os artistas que encontram dificuldades financeiras em sua profissão, há muitas outras pessoas que simplesmente não têm escolha, as necessidades físicas vêm antes dos sonhos. Por isso se é caixa de supermercado, empregada doméstica, cobrador de ônibus ou trabalhador de construção civil, entre muitos outros empregos em que se trabalha bastante e se ganha pouco. Não que as pessoas não possam ser felizes dessa forma, algum prazer a vida traz, mas a idéia de poder fazer o que realmente se gosta e conseguir se sustentar com isso é um ideal restrito às camadas mais altas da sociedade.
Plínio Marcos expõe esse dilema: “Quero fazer arte, quero trazer algo às pessoas com minha arte, quero provocar transformações”, parece ser a essência do palhaço Bobo Plin (nome que parece uma auto-ironia do dramaturgo), enquanto Menelão, mais prático e, por que não, mais adaptado à sociedade, parece sempre dizer “É mais fácil continuar com as piadas prontas e já ensaiadas e que sabidamente agradam. Assim, garantimos nosso pão de cada dia!”. Ainda, é interessante pensar na incoerência entre o discurso de Menelão e sua posição de palhaço, que deveria expor o ridículo da sociedade e funcionar como crítica e não amenizar os ânimos. E a história caminha com os dois palhaços brigando sempre, um tentando convencer o outro, sempre irredutíveis, afinal ambos têm razão. Mas eles conseguem entrar em acordo e Menelão autoriza Bobo Plin a fazer uma apresentação sem qualquer preparo, será tudo na improvisação, se não fizer sucesso, voltam à boa e velha fórmula. A platéia está enchendo e Bobo Plin começa a ficar nervoso, assim como Menelão, cada um por seus próprios motivos.
A apresentação foi um sucesso! Menelão fica radiante com o dinheiro que irá ganhar, enquanto Bobo Plin está cabisbaixo, mesmo tendo sido mais engraçado que de costume. O que há? Bobo Plin não conseguiu inovar, não sentiu que a platéia queria, a “platéia não tinha rosto”, as pessoas eram vazias e tomadas pela rotina, elas queriam as piadas prontas! É para isso que elas pagam! De que adianta fazer arte se ninguém a quer? Como provocar transformações se as pessoas não estão abertas a isso? E como isso faz sentido para o teatro hoje! Há peças tão ruins sendo feitas, histórias boas, mas com encenações óbvias ou histórias ruins e grandes produções, enfim, há pessoas que parecem não se esforçar para fazer bom teatro, mas o público também não exige nada melhor. Tudo está bom, quanto mais fácil, melhor; quanto menos se precisar pensar, melhor. Já virou costume levantar-se ao final de toda e qualquer peça e fazer chover aplausos incessantes sobre os atores. Essas atitudes já se banalizaram, é esperado que sempre se faça isso, então, toda e qualquer peça é sempre excelente para o público.
Ao final da “Balada”, todos se levantaram e bateram palmas. Pontos positivos e pontos negativos, não há como negar, mas palmas pelo esforço dos atores, pela montagem simples e sincera, em respeito ao trabalho desses novos artistas tentando entrar num mercado difícil e começando nesse pequeno Teatro Fábrica. E o dilema de Plínio permanece para o futuro de todos lá presentes, dentro e fora do palco.
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